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Abelhas africanizadas: como fazer apicultura com elas

Autor: Equipe Beentry·22. júla 2026·5 min čítania

Raramente uma abelha tem uma reputação tão ruim quanto a africanizada. A mídia sensacionalista a chamou de “abelha assassina” e adicionou uma imagem de um enxame perseguindo tudo que é vivo. A realidade, porém, é outra. A abelha africanizada é comum no Brasil e em grande parte da América Latina, e o Brasil hoje é um dos maiores produtores de mel do mundo.

Vamos analisá-la com clareza: de onde veio, no que difere e como é possível apicultá-la de forma segura e produtiva.

De onde vieram as abelhas africanizadas

Tudo começou com um experimento científico. Em 1956, o geneticista brasileiro Warwick Kerr trouxe para o Brasil 47 rainhas da subespécie Apis mellifera scutellata. O objetivo do programa de melhoramento era combinar sua adaptação aos trópicos e produtividade com um comportamento defensivo mais brando das linhagens europeias.

Em outubro de 1957, contudo, o plano saiu do controle. Um visitante no apiário em Rio Claro removeu as grades excludentes, e . Sua descendência cruzou-se com as linhagens europeias locais e as abelhas africanizadas se espalharam por grande parte das Américas. No outono de 1990, chegaram ao sul do Texas.

Em que se diferenciam das abelhas europeias

Abelha africanizada (Apis mellifera)Abelha africanizada
Abelha carnica, Apis mellifera carnicaCarnica (nossa)
Ambas são abelhas melíferas (Apis mellifera), apenas de linhagens diferentes. A africanizada costuma ser mais clara e dourada, enquanto a européia carnica é mais escura com faixas acinzentadas.

As abelhas africanizadas diferem das linhagens europeias não pelo veneno mais forte, mas principalmente pelo comportamento defensivo e algumas características biológicas. Na prática, manifestam-se principalmente assim:

Defendem-se mais rápido e em maior número. Respondem ao estímulo mais cedo, mais abelhas saem e perseguem o intruso longe da colmeia. Essa defesa coletiva, e não a força da picada individual, é a razão pela qual é preciso lidar com elas com cuidado.

São adaptadas aos trópicos. Em condições tropicais, suas colônias se desenvolvem rapidamente e suportam bem o calor. Raramente se formam enxames e, na falta de recursos ou quando perturbadas, abandonam a colmeia com mais frequência.

São mais resistentes. Em muitas áreas, exibem maior resistência a algumas doenças e parasitas, embora não a todos os problemas de saúde.

O mito da “abelha assassina”

O termo “abelha assassina” foi difundido pela mídia sensacionalista. Não descreve a força da picada individual nem o comportamento normal das abelhas fora da defesa da colônia. O veneno da abelha africanizada não é mais forte que o de qualquer outra abelha melífera. O perigo está na quantidade: quando defendem a colônia toda, uma pessoa ou animal recebe muito mais picadas do que ao encontrar uma colônia mais calma.

Mas isso não pode ser ignorado. Cada picada pode causar dor e reação local, e para uma pessoa alérgica até uma única pode desencadear uma anafilaxia com risco à vida. Muitas picadas podem ter graves efeitos tóxicos mesmo em pessoas sem alergia. A chave, portanto, não é o medo, mas a técnica correta e manter distância.

Como apicultá-las de forma segura e produtiva

Os apicultores brasileiros criam abelhas africanizadas no dia a dia há décadas e aperfeiçoaram alguns princípios:

Localização do apiário. As colmeias devem estar a uma distância segura de residências, estradas e animais domésticos, idealmente atrás de uma barreira de vegetação que eleve a rota de voo acima das cabeças das pessoas. Siga as normas locais; o manual federal brasileiro recomenda pelo menos 500 metros. Equipamento completo sempre. Véu claro sem danos, luvas, roupas bem vedadas e calçados adequados são padrão, não excesso de cautela. Calma, fumaça e nunca sozinho. Faça inspeções em clima estável e claro, use bastante fumaça fria, seja ponderado e prefira não estar só.

Uma ferramenta importante a longo prazo é o seleção genética. Para criação, escolha colônias que repetidamente respondam de forma mais branda, e introduza rainhas de linhagens africanizadas seletivamente mais calmas nas colônias com reação defensiva excessiva. Assim, a natureza do rebanho pode ser gradualmente melhorada.

Como o Beentry ajuda

Quer você apiculture com abelhas africanizadas ou europeias, precisa de controle. No Beentry, você registra o estado de cada colméia, seu comportamento defensivo, troca de rainhas e tratamentos. O histórico facilita comparar colônias e selecionar para reprodução. Tudo em um só lugar, no celular e na web.

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Fontes e referências

  1. Embrapa, Aspectos históricos da abelha africanizada e seus impactos na apicultura brasileira. infoteca.cnptia.embrapa.br
  2. UF/IFAS, Differences Between European and African Honey Bees. ask.ifas.ufl.edu
  3. Ministério da Agricultura (Brasil), Manual de doenças das abelhas. wikisda.agricultura.gov.br
  4. Texas Apiary Inspection Service, Africanized Bees. txbeeinspection.tamu.edu